Autora



Eu tenho alma de biblioteca.
Nas minhas retinas só cabem palavras.
É a escrita a minha destreza.
Na minha utopia, os poemas.
Escrever é meu vício.
Tenho sina de poeta.
Eu tenho a letra e o papel.
No meu coração pequeno mora o dom.
Não sou Caio nem Clarice.
Não sou Manoel nem Quintana.
Sou eu.
Na simplicidade de ser meramente eu.
Eu tenho riso literário.
Tenho o lápis e o amanhã.
Sou o desconhecido.
O anônimo autor de um livro ainda não escrito.
O personagem invisível de um clássico relido.
Não sou a heroína de um romance.
Sou antes, o intervalo.
O vão.
O espaço não preenchido.
Eu sou o pó.

| Luci Alves |


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