Postagens

Mostrando postagens de Julho, 2016

(re)partida

Imagem
Uma coisa é certo na vida, uma coisa da qual ninguém pode escapar, uma coisa que faz com que todos tenhamos algo em comum: todos nós chegaremos num ponto em que experimentaremos um rompimento de nossas próprias percepções. Em algum momento na vida, seremos partidos. Não externamente, não superficialmente, não temporariamente, mas de forma profunda e contínua. Em algum momento seremos feridos. Em algum momento seremos aquele que feriu. Não dependendo de nós mesmos, coisas acontecerão, consequências virão, mudanças repentinas e indesejáveis ocorrerão sem que tenhamos o controle sobre isso. Sofreremos perdas irreparáveis. Sentiremos as faltas, as ausências, a impotência de não poder impedir o fluxo da vida, a tristura da insuficiente força em vencer o desalento. Seremos fragmentados em inúmeros pedacinhos. Seremos desconstruídos além da embalagem que nos envolve. Mas depois, num outro momento, a vida nos dá um golpe de misericórdia. Nos reerguemos apesar das tristezas. Superamos, talvez…

Sobre amigos

"Quando eu ainda era um adolescente, meu pai me ensinou uma dura verdade: "Ao longo da sua vida, você não vai encher uma mão com pessoas para quem você pode mostrar suas fraquezas sem que elas usem isso contra você."  Sequer cinco. Chocante. Esta frase me marcou a ponto de me fazer lutar contra ela por anos. Meu grande amigo, meu modelo, mais experiente que eu, me disse que na vida inteira eu não chegaria a encontrar cinco amigos que teriam estômago, generosidade, cumplicidade suficiente pra saber quem eu realmente sou.  Conheci pessoas ao longo da vida que já foram um dedo nessa mão e não quiseram (ou conseguiram) mais ser. Tem gente que ainda está aqui. Mas a mão ainda não está cheia. Talvez nunca venha a estar. Sorte de quem tem o pai ou a mãe nesta mão. Sorte de quem casou com um de seus cinco dedos. Sorte de quem tem um Deus pra se abrir. Percebi que a única coisa que eu posso fazer é ser um dedo na mão de alguém. Na mão do máximo de pessoas que eu puder ser. E tenho…

A face de Deus

Lewis concorda em que Deus criou o demônio — mas isso não torna Deus mau ou o criador do mal. Lewis escreve: "Esse poder tenebroso foi criado por Deus, e era bom quando foi criado, vindo a se tornar mau".
Ele explica a relação que existe entre a liberdade e o potencial para o mal: "Deus criou as coisas com livre-arbítrio. Quer dizer, criaturas capazes de fazer coisas certas ou erradas. Há pessoas que acham que podem imaginar uma criatura livre, mas que não tivesse a possibilidade de errar. Eu não consigo imaginar isso. Se uma coisa é livre pra ser boa, é livre também pra ser ruim. E o livre-arbítrio é o que fez o mal ser possível".
Porque, então, permitir o livre-arbítrio logo no começo?
Ele responde: "Porque o livre-arbítrio, embora possibilite o mal, é também a única coisa que torna possível qualquer amor ou bondade ou alegria que valha a pena se ter. Um mundo de autômatos — de criaturas que trabalhassem como máquinas — dificilmente valeria a pena ser criado…