Alma despida



Já abri e reabri essa caixa de texto muitas vezes, tentando fazer com que algo saísse de mim, tentando gritar sem fazer barulho na tentativa de dizer mesmo não tendo as palavras. É que a voz as vezes me foge. É que a gente olha pro lado e vê que o mundo está tão deslocado, tão autossuficiente no seu próprio modo e ficamos sem fala.
Já escrevi e apaguei tantas vezes a palavra dor, o sentimento, a esperança de um dia de sol. Estamos cheios de mutilações. Cheios de cicatrizes. Cheios de incertezas. Nesse mundo de pessoas doloridas ter paz é um dom. É sorte de quem sabe driblar os próprios medos. É jeito bonito de quem sabe vencer seus defeitos exagerados.
A gente demora um pouco pra perceber que o tempo não muda tudo. Que o passado não se conserta. Que olhar pra frente e seguir, pode até ser um pouco duro, mas liberta. A gente demora, mas aprende, que amigo mesmo é quem já enfrentou invernos bravos ao nosso lado. Que sabe dos nossos erros e acertos. Que nos ama e quer bem independente dos nossos momentos de psicose.
A gente precisa de um olhar leve, que não perca a sensibilidade, apesar de tudo o que já viu. Um sorriso intacto, um abraço disposto a abraçar mesmo quando precisa de atenção. Um pensamento sem estrabismo, mãos sem ataduras, um coração sem disfarces.
A gente precisa ser cheio de um amor que olhe mais a dor do outro. Que se importe, num mundo onde ninguém se importa com mais nada.


Comentários

Mima disse…
Ainda bem que existem "Lucis" no mundo.

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