Se ela sofre, faz poesia



Há dias venho até aqui e fico só olhando, tentando decidir se tudo isso aqui ainda tem relevância, se o pedaço de mim guardado nessa horcrux me fará falta, penso que talvez meus olhos enxerguem diferente e minha escrita seja da mesma forma diferente de tudo que já foi.
Tento decifrar as entrelinhas dos sofismas alheios.
Tento ver a tal luz que dizem haver no fim do túnel, mas parece que dessa estrada não se vê o fim.
Eu tento entender a indelicadeza do adeus, da partida, da mala pronta, do horário marcado, do destino, das muitas longitudes presente em nossos pertos.
Faz tempo que eu só observo, sem mais desculpas, sem a necessidade de explicações ou recortes. Presto atenção em cada detalhe tentando parar de tentar. Eu não tenho vergonha de desistir!
Sozinha com meus grilos eu vou olhando diferente, sentindo diferente, mandando carinho de um jeito diferente.
Eu mudei. Sim. Definitivamente. Eu vou vendo os acontecimentos pelas beiradas tentando entender uma vez e mais uma vez de onde partiu todo o caos. Vou tentando mais do que nunca realizar o irrealizável, amar quem nem quer ser amado por mim. Analiso com minuciosa atenção meus atos e vejo que sim, muitas vezes minhas mãos estiveram sujas, outras vezes meu coração esteve manchado, mas eu mudei.
Eu balanço entre o seguir e o parar. O sorrir e o chorar. O amar e o ser totalmente indiferente.
Tento não perceber os olhares de repulsa sobre mim.
Eu tento retalhar a face do mal que vez ou outra vem mostrar o seu dom.
Mas então percebo que acusações, falações, dedos apontados, línguas desferindo golpes, não podem nada, absolutamente nada contra alguém que recebeu um novo coração. Alguém tão sujo, mas tão sujo, que recebeu direito a redenção.
Eu sinto muita vontade de desistir, mas não. Não. NÃO.
Olhando pra aquilo que vem adiante eu vou seguindo firme, esquecendo-me das coisas que pra trás ficaram. Meus pés não vão parar no meio caminho.
Eu vou completar a jornada até o fim. ATÉ O FIM!

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