Talibã

A batalha da pipa azul.    



O que me parecia engraçado era que, pela primeira vez, desde aquele inverno de 1975, estava me sentindo em paz. Ria porque tinha percebido que, em algum cantinho escondido da minha mente, sempre estivera procurando por isso. Lembrei daquele dia, no alto da colina, quando atirei as romãs em Hassan, tentando provocá-lo. Ele só ficou parado ali sem fazer nada, com o suco vermelho empapando a sua camisa como se fosse sangue. Depois, tirou uma romã da minha mão e a esmagou na testa. "Está satisfeito agora?", sussurrou ele então, entre dentes. "Está se sentindo melhor?" Não, de jeito nenhum; não fiquei satisfeito, nem me senti melhor. Mas agora, sim. O meu corpo estava todo quebrado — só mais tarde ia descobrir em que estado ele realmente estava —, mas me sentia curado. Enfim curado. E ria. 

O Caçador de Pipas, pág. 286/287

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Seu blog é óptimo,gostei dou-lhe meus parabéns.
Com votos de grandes vitórias.
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Sou António Batalha.

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