Àqueles que precisam sorrir


Eu não sou fã de chuva. Dias chuvosos não costumam ser tão agradáveis quando não se pode estar no conforto de casa, olhando-a pela vidraça da janela.
E aqui no sul, quando a chuva vem, traz com ela frio, umidade e gripe.
Mas eu aprendi a agradecer. Eu fico pensando lá no Sertão que anda sofrendo com os solos rachados. Cada casinha simples no meio de uma imensidão marrom, sem sombra, sem água fresca, só calor. Quando se encontra um sinal de água, é lama barrenta. Penso no olhar preocupado de uma mãe apoiada na janela de casa. Num pai sentado à porta com um chapéu de palha trançada vendo seu gado desfalecer. Penso no choro do bebê que não tem leite pra tomar.
Da janela do escritório eu vejo a bomba d'agua descer do céu. E mesmo que me seja desagradável, não serei insensível a ponto de não pensar sobre aqueles irmãos nordestinos que nesse mesmo instante tem outra visão de suas janelas. Pra mim é motivo de sorriso largo, acordar e ver o céu limpo, pra eles é um sinal de desesperança. Nuvens sem probabilidades de mandar um refrigério.
Hoje eu pedi à chuva que se mude pra lá. Que leve pro Sertão o sorriso que eles precisam.


Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Para inspirar: Home Office

É sorrindo que se fala com os olhos