25.1.17

Talvez seja, sim!


Amo os textos do Piangers.



Todo mundo está querendo mudar de vida.
Conversando com um amigo esses dias, carreira bem sucedida na televisão nacional, trabalho estável em um canal internacional, fiquei surpreso quando ele disse que queria largar tudo. “Estou pensando em abrir uma pousada em uma praia da Bahia, vender uns hambúrgueres. Criar a minha filha na beira do mar”. Um outro amigo meu já tinha se mandado pros EUA, depois de uma admirável carreira jornalística, para, segundo ele, “fazer qualquer coisa em um país desenvolvido”. Está, agora, vendendo sua própria cerveja em Seatle.

Imagino que não seja uma tendência apenas entre profissionais de comunicação. Com quem quer que eu converse, nos últimos anos, ouço sempre a mesma coisa: “estou querendo largar tudo”. Professoras, contadores, médicos, engenheiros. Todos, até os mais bem sucedidos, estão pensando em tirar um ano sabático, viajar para a Tailândia, criar os filhos nos Estados Unidos, abrir uma loja de cupcakes, tirar cidadania italiana, escrever um livro e viver da renda dos direitos autorais. Não há pra onde eu olhe e veja pessoas satisfeitas. Ou melhor, há.
As pessoas satisfeitas são aquelas que fizeram tudo isso. As pessoas que são donas de um restaurante minúsculo que serve só comida orgânica. As pessoas que trocaram o carro pela bicicleta. As pessoas que estão morando em outro país. As pessoas que pediram demissão. As pessoas que resolveram dizer não pra uma vida medíocre. As pessoas que foram atrás do seu potencial.
Dá um prazer de conversar com essas pessoas. Elas são como super-heróis. Olhamos pra elas com admiração, mas sentimos medo de voar. Talvez não seja pra gente. Talvez seja. Todo mundo quer mudar de vida. Fugir do trânsito, da poluição, da violência, da cobrança do chefe, da crise. Todo mundo quer viver uma vida com significado, mais tempo pros filhos, mais tempo pros amigos, mais lazer. Todo mundo está querendo mudar de vida. Talvez não seja pra gente. Talvez seja.


27.12.16

Feliz Natal!



O que diriam os pregadores da intolerância, os obreiros do justiçamento, os apóstolos do olho por olho dente por dente sobre um homem que manifestou seu amor por um ladrão condenado e lhe prometeu o paraíso? Brandiriam o velho sermonário: bandido bom é bandido morto?
Hoje quase todos os brasileiros, inclusive os cônscios moralistas da violência que amarram adolescentes em postes para linchá-los, se reuniram com suas famílias para celebrar mais uma vez o nascimento desse homem.
Sujeito, aliás, que respondeu à provocação: está com pena? Então, leva para casa! Pois, é. Jesus Cristo prometeu levar o ladrão para casa. “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso”, diz o evangelho de Lucas.
Jesus optou pelos oprimidos e renegados, pelos miseráveis, leprosos, prostitutas, bandidos. Solidarizou-se com o refugo da sociedade em que viveu, contestou a ordem que os excluiu.
O Cristo bíblico foi um dos primeiros e mais inspiradores defensores dos direitos humanos e morreu por isso. Foi perseguido, supliciado e executado pelo Império Romano para servir de exemplo.
Assim como servem de exemplo os jovens que são espancados e crucificados em postes, na ilusão de que a violência se resolve com violência. Conhecemos a mensagem cristã, mas preferimos a prática romana. Somos os algozes.
Questiono-me sobre o que teria sido dele em nossa Jerusalém de justiceiros. Não sei se sobreviveria. É perigoso defender a tolerância, o amor ao próximo e o perdão quando o ódio é tão banal. Como escreveu Guimarães Rosa: “quando vier, que venha armado”.
Não é difícil imaginar por onde ele andaria. Sem dúvida, não estaria com os fariseus que conclamam a violência e fazem negócios, inclusive políticos, em seu nome.
Caminharia pelos presídios, centros de amnésia da nossa desumanidade, onde entulhamos aqueles que descartamos e queremos esquecer, os leprosos do século 21. Impediria que homossexuais fossem apedrejados, mulheres violentadas e jovens negros linchados em praça pública. Estaria com os favelados, sertanejos, sem tetos e sem terras.
Por ironia, no Natal, aqueles que defendem a redução da maioridade penal, pregam o endurecimento do sistema prisional, sonham com a pena de morte e fingem não ver os crimes praticados pelo Estado contra os pobres, recebem um condenado em suas casas.
Diante da mesa farta, espero que as ideias e a história desse homem sirvam, pelo menos, como uma provocação à reflexão. Paulo Freire dizia que amar é um ato de coragem. Deixemos então o ódio para os covardes.

Feliz Natal.

(Marcelo Freixo)


14.12.16

Textinho



Toda a minha busca por satisfação é falha se a minha vida não estiver em Cristo.
Somente Nele me encontro e ali me completo.
Todo sentido da minha vida passa pela verdade de quem sou em Cristo;
E entendo meu lugar de filho.
Ele é a luz que transcende minhas trevas e me leva a um lugar de paz.
Quero viver pra Ele e testemunhar as obras que o Seu amor faz.
Não me abstendo, quero tudo na vida com Cristo
Tanto a dor, quanto o riso.
Quero chegar ao fim da vida com certeza de que combati o bom combate.
E encontrar-me com o único mal irremediável,
Que é o destino final da minha estrada sobre a terra,
Que coloca tudo o que é vivo na mesma sala de espera:
O inevitável pesar da morte.
Sabendo que a eternidade a tudo supera.
Na verdade, não tenho aqui permanente cidade.
Sou peregrino nessa terra.
Meu lar é em outro lugar;
E é pra lá que estou caminhando.